Processamento Auditivo Central

A audição é uma das vias de integração do indivíduo com seu mundo, sendo responsável por inúmeros processos no seu desenvolvimento e em sua existência.  A maneira como o sistema auditivo recebe, analisa e organiza aquilo que ouvimos é chamada de processamento auditivo.

O som, ou estímulo sonoro, percorre um longo caminho pelo sistema nervoso, desde a orelha até o córtex cerebral, passando por várias estações do tronco cerebral. Cada estação é responsável por diferentes habilidades, como a atenção a um som, a detecção de onde ele vem e a identificação do seu significado, entre outras funções. Para que todo esse caminho seja percorrido sem desvios, todas as partes ou estruturas envolvidas devem estar perfeitas.

Existe uma enorme rede de neurônios que se ligam neste caminho, que é muito complexo. Às vezes ocorrem alguns desvios, seja por imaturidade destes neurônios, ou por outros motivos. Em alguns casos, o indivíduo pode não ter sido exposto a muitas experiências auditivas, e o estímulo sonoro não tem definido qual o melhor caminho a percorrer. As dificuldades com o processamento auditivo também podem aparecer com a idade, tanto devido às perdas auditivas inerentes ao avanço cronológico, quanto por outros motivos associados ao envelhecimento.

Alterações de processamento auditivo aumentam significantemente com a idade, ocorre assimetria no desempenho entre as orelhas justificada pela deterioração do corpo caloso. Problemas de compreensão de fala em idosos podem ser devido perda auditiva periférica, distúrbio do processamento auditivo ou declínio das habilidades auditivas. ‘A desordem do processamento auditivo apresenta elevada incidência em idosos acima de 60 anos, essas desordens causadas pelo envelhecimento trazem consequências graves para o idoso e família.

O fonoaudiólogo especializado, além de avaliar detalhadamente as habilidades auditivas do indivíduo, poderá orientar a estimulação específica, de acordo com os níveis de alterações detectados.

A estimulação das habilidades auditivas é fundamentada nos princípios da neuroplasticidade, ou seja, na possibilidade que o cérebro tem de criar novas conexões como resposta às solicitações a que é submetido. A repetição de uma mesma tarefa favorece o aumento do número de sinapses presentes nos circuitos neuronais envolvidos, indicando uma correlação neurofisiológica com o aprendizado. Assim como praticar um esporte aumenta nossa competência nesta prática, a repetição de estratégias que requerem determinada habilidade auditiva auxilia o seu desenvolvimento.

Além de auxiliar o desenvolvimento de habilidades em quem tem diagnosticado algum distúrbio no processamento auditivo, tais atividades podem melhorar a competência em processar os sons de quem se exercitar, independentemente da faixa etária. Como em quase tudo na vida, “o treino leva à excelência.”

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